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Mulheres marcham em Sergipe por aposentadoria e fim da violência

O Dia Internacional da Mulher, 8 de março, surgiu da organização e da luta das mulheres trabalhadoras, que reivindicavam melhores condições de trabalho e de salário, igualdade, liberdade e o direito de participar da vida pública.


Neste 8 de março, mulheres em diversos países e no Brasil vão ocupar as ruas e marchar contra o sistema econômico capitalista em sua fase ultraliberal, que tem provocado o aumento do desemprego, pobreza e violência, e contra o avanço do conservadorismo que tem colocado em xeque os direitos civis e a  liberdade das mulheres e dos segmentos LGBTI.


No Brasil, a agenda ultraliberal de retirada de direitos vem sendo implementado desde 2016, pelo ex presidente ilegítimo Temer, e neste ano está sendo intensificada com o Governo de Bolsonaro. Esta agenda - que tem afetado principalmente as mulheres trabalhadoras - elevou o desemprego para 12,6% em 2018. Se considerarmos a taxa de desalento (quando o desempregado parou de procurar emprego) este percentual chega a quase 25% da população economicamente ativa, sendo a maior parte mulheres, jovens negros/as. Em Sergipe, a taxa de desemprego chegou a 17% e, assim como no cenário nacional, as mulheres também são as mais atingidas pela precarização do trabalho.

As mulheres recebem salários inferiores aos dos homens para desempenhar as mesmas funções: em média 76% do valor salário dos homens. As mulheres negras são duplamente atingidas, pois além de receberem menos que os homens, recebem menos que as mulheres brancas.


Além do desemprego e das distorções salariais, agora as mulheres enfrentam ainda a tentativa do Governo de Bolsonaro de acabar com o direito a aposentadoria e com a previdência pública e solidária, materializada numa proposta de reforma da previdência que prevê aumentar o tempo de contribuição por idade das mulheres de 60 para 62 anos, e no caso das trabalhadoras rurais de 55 para 62 anos. A proposta da reforma desconsidera que as mulheres têm tripla jornada de trabalho, já que nós, mulheres, ainda dedicamos o dobro do tempo dos homens às atividades domésticas. Isso significa que trabalhamos, no total, 5 horas a mais que os homens.


Outra realidade triste enfrentada pelas mulheres é a violência. Em 2019, já foram registrados 107 casos de feminicídios no país. De acordo com o Mapa da Violência no Brasil, a taxa de homicídio feminino é de 4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres. Estes dados, segundo a OMS, fazem o Brasil ocupar a 5ª posição em uma relação de 83 países com maior número de homicídios de mulheres. Em Sergipe, a taxa de homicídios é ainda mais elevada que a nacional: 5,1 por 100 mil. Nosso estado ocupa a 20ª posição no ranking dos estados brasileiros com menor taxa, que na maior parte dos casos as vitimas são mulheres negras.

Outro dado alarmente é que entre 2003 e 2013, as taxas de homicídios femininos nos estados cresceram 8,8%, enquanto as das capitais caíram 5,8%, evidenciado um fenômeno observado nos dados divulgados pelos Mapas da Violência no Brasil, de que existe uma interiorização da violência. Considerando o processo em que os polos dinâmicos da violência letal se deslocam dos municípios de grande porte para municípios de porte médio e pequeno. Por isso,
exigimos do Governo Federal e estadual a implementação de políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher.

Mesmo diante dessa realidade de violência e desigualdades sociais e de gênero vivenciada pelas mulheres brasileiras, o Governo Federal desmontou a Política Nacional para a Mulher - que visava a promoção da inclusão social das mulheres e a execução de ações de promoção da igualdade de gênero - e colocou à frente do Ministério da Mulher e dos Direitos Humanos uma gestora com práticas sexistas e misóginas, que tem reforçado a opressão, o conservadorismo e a criminalização da lutas mulheres e de outros segmentos historicamente excluídos e/ou vulneráveis.

Para enfrentar o Governo de Bolsonaro, a reforma da previdência e o conservadorismo, nós mulheres sergipanas do campo e da cidade, nesse 8 de março, vamos ocupar as ruas de Aracaju para defender a aposentadoria, o fim da violência contra a mulher, justiça para o caso de Marielle e a liberdade de Lula. O ato público acontece a partir das 9h, com concentração em frente à empresa Alma Viva. Outras ações acontecem também em Nossa Senhora da Glória, onde as mulheres do sertão promoverão uma jornada de Luta de 12 a 28 de março.


Itanamara Guedes
Assistente social, Presidenta da FETAM e diretora de políticas sociais da CUT